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5 outubro 2011 1 Comentário

O que bem se come, bem se lê

Começou no dia 29 de setembro e vai até 12 de outubro a 5ª Bienal Capixaba do Livro, no Shopping Norte-Sul. O evento contará com a presença de alguns escritores nacionais, espaço para escritores capixabas, palestras variadas durante todo o dia e muita programação para crianças. Além disso, é uma excelente oportunidade de adquirir volumes com descontos muito bons.

Tenho acumulado nos últimos meses um grande número de aquisições não lidas. Minha fome nessa área é sempre maior que minha capacidade digestiva. Mesmo assim fui atrás de algum achado casual, e acabei encontrando um cara parecido comigo: uma ratazana chamada Firmin, de Sam Savage. O livro chamou minha atenção pelo formato inusitado: tem uma faca especial nas bordas, como se obra tivesse sido roída. A contracapa resume a história:

Nascido no porão de uma livraria na Boston dos anos 1960, Firmin aprende a ler devorando as páginas de um livro. Mas, um rato culto é um rato solitário. Marginalizado por sua família, busca a amizade de seu herói, o livreiro, e de um escritor fracassado. À medida que Firmin aperfeiçoa uma fome insaciável pelos livros, sua emoção e seus medos se tornam humanos. Original, brilhante e cheio de alegorias, Firmin esbanja humor e tristeza, encanto e saudade de um mundo que entende o poder redentor da literatura, um mundo que se desvanece deixando para trás um rato com uma alma criativa, uma amizade excepcional e uma livraria bagunçada.


Além do corte especial, a obra também veio em uma caixinha de muito bom gosto, e foi dela que tirei o título aparentemente bizarro do post. Tudo isso pela pechincha de R$9,90. Vale dizer que o livro normal, sem frescura nenhuma, está com valor de capa de R$37,60. Caso você queira levar o seu para casa, o livro está no estande da Editora Leya, apesar de ter sido publicado pela Planeta.

A 5ª Bienal Capixaba do Livro vai até a próxima quarta-feira, não deixe de fazer uma visitinha! Apesar da feira ainda estar distante de eventos do gênero em outros estados, quem é apaixonado por livros certamente não sairá desapontado. Há opções para todos os tipos de paladares, e quem sabe até para abrir seu apetite para coisas novas.

Em tempo: Além do Firmin, arrematei outra obra muito boa pelo mesmo preço: Palavra Cruzada – O Jogo da Entrevista, de Julio Maria. Esse foi no estande da Logos. Trata-se de uma coletânea de 50 ótimas entrevistas com personalidades brasileiras, um acervo de interesse cultural e jornalístico, uma vez que fazer perguntas é uma arte que não é pra qualquer pessoa.

Marcus Vinícius “Passarinho” Paiva

26 setembro 2011 0 Comentários

Boas-vindas ao Calvin e ao Haroldo

Certa vez escrevi um artigo intitulado “o prazer de possuir”, no qual defendia que a pirataria jamais poderia fazer frente às obras originais, caso os consumidores tivessem a oportunidade de ver e sentir seu valor. Eu dizia que os livros são muito mais do que amontoados de palavras, que podem facilmente ser duplicadas. Eles carregam valores sentimentais e simbólicos impossíveis de copiar, e cada exemplar que conseguimos adquirir é como se materializássemos um pedacinho de nós mesmos para colocar na estante.

Hoje, relembro essas breves reflexões simplesmente para falar de dois amigos literários de longa data, que finalmente tenho o prazer de tê-los junto a mim: o Calvin e o Aroldo. Em nossos encontros, vou achando diversos daqueles pedacinhos perdidos no passado: a peraltice de minha infância e as brincadeiras de inventar coisas. A criança hiperativa com cabelo de cuia, que desmontava os brinquedos ao invés de brincar com eles, fingia que era cientista e vivia enfiado em um livro qualquer.

As tirinhas do Calvin e Haroldo nos trazem uma inocência doce, um humor puro e uma profundidade rara. É uma leitura leve, atemporal e cativante, capaz de levar embora um pouco da seriedade que vamos acumulando ao longo dos anos. Quem não os conhece bem, pode fazer uma visita sem compromisso clicando aqui. Aposto que assim como eu, você também vai querer ter os dois ao seu lado, quando puder. Afinal, é onde os amigos devem estar. Eles serão uma ótima companhia por muitas e muitas horas. Depois, esperarão impacientemente na estante, para fazer amizade com seus filhos e netos. Daquele jeito inquieto que só a infância e os bichos de pelúcia podem ser.

Marcus Vinícius “Passarinho”



22 fevereiro 2010 2 Comentários

O assunto é história em quadrinhos. Só que as piores.

Qual o pior personagem de histórias em quadrinhos de todos os tempos? Uma pergunta simples, mas que gerou controvérsia na Fire. A partir dela que, há alguns dias, iniciamos uma discussão acalorada por aqui citando nomes dos mais variados e obscuros personagens toscos já publicados. E como essa lista foi extensa. Tantos nomes, mas tantos nomes, que tivemos que limitá-la, determinando que os personagens levantados deveriam ter um mínimo de relevância possível para o público.

Nomes como Cable, que é para mim o mais tosco de todos os tempos foi testado. Foi um personagem criado por Rob Liefeld, o que com certeza já o colocaria em qualquer lista de piores personagens de todos os tempos. Ele é um mutante do futuro meio máquina, meio homem, carregando sempre um arsenal de armas, o que me faz lembrar, claro, do Exterminador do Futuro. Ele tinha como poder a incrível habilidade de fazer um dos olhos brilhar, mas depois apresentou poderes de telecinese. É que na verdade ele era filho do Ciclope (aquele dos X-Men) com uma mulher que era muito parecida com a Jean Grey (que mais tarde descobriu-se que era um clone dela) e por aí vai. Isso sem falar do fato dele ter sido infectado por um vírus tecnorgânico (?), o que explicaria o fato dele ser meio máquina. Tosco e confuso, né?

Tem também a maioria dos personagens da Image Comics, editora criada por grandes desenhistas da década de 90, vindos principalmente da Marvel, que desenhavam bem (tirando o Rob Liefeld, claro) e escreviam muito mal. Eram cenas de ação desenhadas de forma fantástica e exagerada,  mas sem conteúdo algum.

Além disso tem o Ben Reilly, o Aranha Escarlate (ou Homem Aranha clone), que é tão ruim, tão ruim que eu teria que escrever um livro para explica-lo. E mesmo assim, poucos entenderiam.

Enfim, muitos outros apareceram e poderiam ter aparecido nessa nossa discussão que misturou uma análise séria e lembranças engraçadas.  Mas eu sempre argumento que, tirando algumas exceções, todo personagem pode ser muito interessante quando desenvolvido por uma equipe talentosa.

O Lanterna Verde, por exemplo, sempre figura nessas listas aqui da agência. Isso por conta do seu anel e da sua capacidade de criar objetos sólidos com ele. A habilidade de criar uma mão gigante para pegar um vilão realmente é um tanto estranha. Isso sem falar de enormes luvas de boxe para destruir naves inimigas.

No entanto, considerando a história do personagem, temos algumas revistas bem legais. A fase escrita por Dennys O`Neil e desenhada por Neal Adams (o mesmo que praticamente definiu visualmente o Batman como conhecemos hoje), mostra o  Lanterna ao lado do Arqueiro Verde viajando pelos Estados Unidos e é considerada um marco dos quadrinhos. Nela, vários temas nunca explorados, tais como a política e o uso de drogas foram levantados e questionados. Uma das capas, por exemplo, onde um dos personagens era flagrado injetando heroína, foi a primeira a romper a censura que oprimia a indústria na década de 70.

Atualmente o Lantera Verde vive histórias que fazem muito sucesso nos Estados Unidos, muitas vezes batendo a Marvel (geralmente líder de mercado por lá) em vendas. O tom mais adulto, além da mistura de ficção científica, drama de guerra e histórias de super-heróis parece funcionar muito bem e atrai cada vez mais o público,  provando que, quando bem desenvolvido, o personagem normalmente mais tosco pode ser sim, interessante.

P.S.: Juro que não fiz esse texto por causa da camisa com o símbolo do Lanterna Verde que eu comprei em São Paulo.

(Essa versão do Lanterna Verde ficou bem interessante. Mandou bem , Vlad. Valeu)

Radael Junior
Designer da Fire

1 abril 2008 3 Comentários

Mutarelli – Quadrinhos e literatura

mutarellisoma

Eu não entendo nada de quadrinhos, já vou logo falando. Mas sei que aqui na Fire tem vários entusiastas e, por que não dizer, especialistas na área (alô, Claudio, Radáx, Ramon e Vlad). Por isso mesmo, quando li essa notícia no UOL, achei que seria legal compartilhar. É que em Curitiba o professor e designer Liber Paz, de 33 anos, fez sua tese de mestrado baseando-se nas produções em quadrinhos de Lourenço Mutarelli, referência nacional na área. Paz estudou e analisou os trabalhos do brasileiro, dando aos quadrinhos o mesmo tratamento que seria dedicado a uma obra literária.

A pesquisa abrange desde os primeiros trabalhos de Mutarelli, do fim da década de 80, até os últimos álbuns, de 2006, quando o artista deixou de lado os quadrinhos para se dedicar mais à literatura (vale citar que ele escreveu “O cheiro do ralo”, que deu origem ao filme homônimo). Só pra vocês terem idéia, vão aí algumas conclusões: “a obra de Mutarelli reflete e refrata elementos sociais e tecnológicos”, “há uma tendência a abordar temas como solidão e melancolia”, “há uma fixação por figuras deformadas”. Se quiserem saber mais e, inclusive, ler uma entrevista com o autor da tese, é só entrar no link aí embaixo.

Marcelo Merçon

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