Qual o pior personagem de histórias em quadrinhos de todos os tempos? Uma pergunta simples, mas que gerou controvérsia na Fire. A partir dela que, há alguns dias, iniciamos uma discussão acalorada por aqui citando nomes dos mais variados e obscuros personagens toscos já publicados. E como essa lista foi extensa. Tantos nomes, mas tantos nomes, que tivemos que limitá-la, determinando que os personagens levantados deveriam ter um mínimo de relevância possível para o público.
Nomes como Cable, que é para mim o mais tosco de todos os tempos foi testado. Foi um personagem criado por Rob Liefeld, o que com certeza já o colocaria em qualquer lista de piores personagens de todos os tempos. Ele é um mutante do futuro meio máquina, meio homem, carregando sempre um arsenal de armas, o que me faz lembrar, claro, do Exterminador do Futuro. Ele tinha como poder a incrível habilidade de fazer um dos olhos brilhar, mas depois apresentou poderes de telecinese. É que na verdade ele era filho do Ciclope (aquele dos X-Men) com uma mulher que era muito parecida com a Jean Grey (que mais tarde descobriu-se que era um clone dela) e por aí vai. Isso sem falar do fato dele ter sido infectado por um vírus tecnorgânico (?), o que explicaria o fato dele ser meio máquina. Tosco e confuso, né?
Tem também a maioria dos personagens da Image Comics, editora criada por grandes desenhistas da década de 90, vindos principalmente da Marvel, que desenhavam bem (tirando o Rob Liefeld, claro) e escreviam muito mal. Eram cenas de ação desenhadas de forma fantástica e exagerada, mas sem conteúdo algum.
Além disso tem o Ben Reilly, o Aranha Escarlate (ou Homem Aranha clone), que é tão ruim, tão ruim que eu teria que escrever um livro para explica-lo. E mesmo assim, poucos entenderiam.
Enfim, muitos outros apareceram e poderiam ter aparecido nessa nossa discussão que misturou uma análise séria e lembranças engraçadas. Mas eu sempre argumento que, tirando algumas exceções, todo personagem pode ser muito interessante quando desenvolvido por uma equipe talentosa.
O Lanterna Verde, por exemplo, sempre figura nessas listas aqui da agência. Isso por conta do seu anel e da sua capacidade de criar objetos sólidos com ele. A habilidade de criar uma mão gigante para pegar um vilão realmente é um tanto estranha. Isso sem falar de enormes luvas de boxe para destruir naves inimigas.
No entanto, considerando a história do personagem, temos algumas revistas bem legais. A fase escrita por Dennys O`Neil e desenhada por Neal Adams (o mesmo que praticamente definiu visualmente o Batman como conhecemos hoje), mostra o Lanterna ao lado do Arqueiro Verde viajando pelos Estados Unidos e é considerada um marco dos quadrinhos. Nela, vários temas nunca explorados, tais como a política e o uso de drogas foram levantados e questionados. Uma das capas, por exemplo, onde um dos personagens era flagrado injetando heroína, foi a primeira a romper a censura que oprimia a indústria na década de 70.
Atualmente o Lantera Verde vive histórias que fazem muito sucesso nos Estados Unidos, muitas vezes batendo a Marvel (geralmente líder de mercado por lá) em vendas. O tom mais adulto, além da mistura de ficção científica, drama de guerra e histórias de super-heróis parece funcionar muito bem e atrai cada vez mais o público, provando que, quando bem desenvolvido, o personagem normalmente mais tosco pode ser sim, interessante.
P.S.: Juro que não fiz esse texto por causa da camisa com o símbolo do Lanterna Verde que eu comprei em São Paulo.

(Essa versão do Lanterna Verde ficou bem interessante. Mandou bem , Vlad. Valeu)
Radael Junior
Designer da Fire