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2 março 2010 1 Comentário

Método Priscila de trabalho

Olá, o programa de hoje vai mostrar como um redator publicitário trabalha. De onde vem a sacada, inspiração, insight, ou simplesmente como faz pra baixar o santo.

A entrevistada de hoje é Priscila Perovano, que há cinco minutos antes deste parágrafo aqui ficar pronto não tinha a menor ideia sobre o que iria escrever neste blog.

E antes do texto chegar ao que interessa, só pra deixar claro mesmo, o que vou contar aqui não precisa ser seguido à risca. Até porque vai saber se com você vai dar certo do jeito que eu faço, né?

Bom, chegou o job. Aí você lê, relê, “re-relê”. E não veio nada na cabeça. Fudeu? Nada. Levanta e vai falar do filme que você viu no fim de semana com alguém. Depois volta pra mesa de novo.

Abre lá o navegador. Vai no Google e digita o assunto do job. Quem sabe algum blogueiro, site de notícias ou até mesmo naquelas respostas idiotas do Yahoo! Respostas você consiga ficar mais por dentro do assunto.

Agora levanta de novo e vai implicar com alguém, falar bobeira ou cantar qualquer coisa. Mas antes tenha certeza que sua voz é boa, assim como a minha. Ráá.

Olha pra página branquinha do Word. Sem desespero. Escreve ali o que vem na cabeça. Pode ser uma palavra, duas, três. Uma frase. Melhor ainda é quando você escreve um parágrafo só com o que vem à mente.

Eu sei. Dá vergonha de digitar tudo isso e alguém ler as baboseiras que você escreveu. Mas relaxa. Designer não fica brincando de desenhar bolinha e quadradinho pra fazer uma logomarca? Diretor de arte não fica testando fotos e fundos ridículos pro cartaz? Você também pode.

Se ainda falta inspiração, corre lá pros anuários. Folheie, folheie, fique querendo se matar por não ter pensado em fazer o anúncio igual ao da página 27 e depois vai lá pegar um cafezinho ou uma água.

Volte pro Word. Olhe pro teto. Lembre da conta do cartão de crédito que vai vencer. Pegue uma revista. Qualquer revista. Levanta da cadeira de novo. Puxa papo com alguém. Inventa um assunto. Coloca uma música (no fone, por favor). Dá uma descarregada no banheiro. Eu prefiro os que tem janela. Mas se não tiver jeito, só se lembre que mais alguém vai usá-lo. Borrife aquela droga do Bom Ar, pelo menos ameniza. Senta de novo. Troque umas palavras com seu dupla, com a tia do café, com o motoboy, com seu amigo imaginário.

É assim que a mente descansa. E é aí que as ideias começam a surgir naquele balãozinho de pensamento que tá aí em cima da cabeça. Daqui a pouco o trem anda. E seu documento do Word ganha mais linhas, mais páginas. E aí vai dar certo. Pelo menos comigo dá.

Tá bom, tá bom. Corta. Chama a vinheta de encerramento porque esse texto já está gigante. Acho que bebi café demais no 9°páragrafo.

(Eu fingindo que tava fingindo que tava trabalhando. Deu pra entender?)

Priscila Perovano
Redatora da FIRE

9 fevereiro 2010 2 Comentários

A do momento agora é: Rada-Radaway

Quem trabalha na Fire ou pelo menos faz uma visitinha à agência sabe: não existe um dia sequer sem sorrisos e gargalhadas altas (essas últimas, na maioria das vezes, ficam por minha conta).

E não é só porque a gente se sente em casa, que a gente ama o que faz, ou a forma como a gente trabalha. É porque a gente também AMA sacanear um com o outro.

O tráfego pode estar lotado, mas se não existe um tempinho pra gente se divertir pelo menos um pouquinho, com certeza é um dia perdido. A regra é simples: se você zoa, também tem que estar aberto a ser zoado. Respeitada essa única regra já pode participar.

Há bem mais de um ano, quando eu entrei aqui, observei que o pessoal pegava mais no pé de uma figura em especial: o Radael. No começo eu ficava com dó, mas sabe aquela máxima do “para ser aceito no grupo você precisa fazer igual a gente”? Pois é, tive que entrar na onda.

Aqui já rolou o nome dele nas músicas, caricaturas, imitações dos gestos e jargões, e sabe por quê? Porque tanto a gente como ele mesmo se diverte com essas brincadeiras. Ah, e porque a gente também AMA esse nosso designer. Sério mesmo.

Tanto, que quando ele saiu de férias eu fiquei morrendo de saudade. Ele faz uma falta danada (com todo respeito, Lívia – esposa dele). Mas aí, já viu: se ele não está, a gente faz ele estar presente.

Geralmente rola uma alteração no papel de parede do Mac dele, umas caricaturas diferenciadas ou umas lembrancinhas na mesa. Só que este ano, o negócio evoluiu.

Com um incentivo meu (como acontece na maioria das zoações), nós criamos um vídeo dele. Com apenas 4 caricaturas do Vlad fizemos uma sacomenagem [sic] muito legal. Pegamos uma música do grupo SOJA – um grupo de reggae que meu irmão ouve todo santo dia – chamada “I don’t wanna wait”, que se você der play repetidas vezes consegue ouvir um longínquo “Rada-Radaway”.

No começo, quando eu mostrei a música ninguém ouvia esse bendito “Rada-Radaway”. Mas depois de colocar no repeat não deu outra: todo mundo ouviu. Aí adivinha?

“Gente, vamos fazer um vídeo rapidinho dele andando e essa frase aparecendo toda hora?”.

A resposta você assiste agora:

Bom, agora está aberta a temporada: vou ter que me contentar com um possível post só sacaneando comigo, com o meu pé gordo, com a minha mão gorda, com a pinta da minha perna e com a história lá do meu irmão e o saquinho de vodka.

Priscila Perovano
Redatora da FIRE

8 fevereiro 2010 2 Comentários

Desenho sem compromisso

Voltei a desenhar depois de muitos anos. Muitos mesmo. Tudo por causa do meu novo caderninho de desenho. Desenho sem compromisso, pra mim mesmo, como eu não fazia desde a adolescência.

E esse caderninho vem se tornando minha companhia obrigatória, sendo levado comigo pra todo lado. Até já virou um hábito tirar ele do bolso (do bolso porque é bem pequeno mesmo) e desenhar de tudo, e em todo lugar.

Com uma simples caneta uni pin e depois um pouco de tinta vou criando imagens malucas, algumas tiradas do próprio cenário, outras de algo que acontece comigo ou à minha volta. Acaba sendo a minha visão do mundo. E vou ficando cada vez mais viciado em mostrar essa visão e de colocá-la no papel. Um vício muito bom. E viva meu caderninho.

Radael Junior
Designer da FIRE

6 março 2008 3 Comentários

Futebol sim. E daí?

futebol

Bom, vamos lá. Nunca escrevi para um blog, mas como esse é da Fire resolvi que vale perder (ou ganhar, dependendo do ponto de vista) algumas horas digitando algo por aqui. Horas porque do jeito que escrevo não sai algo tão cedo. Mas aí vem uma questão importante: sobre o que escrever? Decidi então escrever sobre algo completamente inusitado e pouco valorizado aqui na agência: futebol. Pois é, futebol, o esporte das massas.

Sei que existem mil e uma razões, de sociais a religiosas, para condenarmos esse esporte. Concordo que funciona como uma espécie de “pão e circo” romano (só que sem o pão, claro). E concordo que as pessoas relacionadas ao esporte parecem não ser das mais inteligentes, pelo menos não culturalmente (ledo engano em alguns casos). Tudo isso e muito mais pesa contra gostarmos do futebol. Mas eu gosto muito. Assim como milhões pelo mundo. Pessoas dos tipos mais variados, de diferentes países, línguas, culturas, raças e credos. Algumas coisa de bom o futebol tem que ter.

Sou flamenguista, mas não desses fanáticos malucos que vivem em função do time. Aliás, acho ridículo discussões sobre o esporte embasadas em paixão irracional. Gosto de analisar as partidas racionalmente, quase como se analisa uma partida de xadrez. Claro que torço, grito e xingo – e muito, por sinal – os jogadores quando eles mandam mal (como se eles pudessem ouvir algo). Faz parte da emoção de assistir a um jogo de futebol extravazar em tudo a que se tem direito. Além disso, a partida é realmente emocionante, já que um lance mínimo pode decidir o sucesso ou fracasso de um ano inteiro de trabalho. Quase como a vida.

E é engraçado como esse sucesso ou fracasso afetam o torcedor. É como se o resultado fosse em algum momento afetar de alguma maneira a vida dele também (claro que, em caso de perda, tem a gozação dos amigos que torcem para os times rivais, mas tudo bem). Mas esse orgulho ridículo e sem sentido do time e de suas vitórias e a vergonha mais sem sentido ainda das derrotas fazem parte da graça do esporte. É uma coisa que ninguém consegue explicar, mas todo torcedor sabe bem como é. As estratégias, a imprevisibilidade dos resultados (fato que não se vê em nenhum outro esporte), a torcida e sua cantoria movida por milhares de vozes, a provocação adversária (na dose certa, claro), o gol feito no último segundo, tudo isso e muito mais faz desse esporte um dos espetáculos mais interressantes do mundo.

Por isso não me venham com o papo de que futebol não é legal. É sim. Muito mesmo. E dá-lhe mengão.

Radael Junior