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7 fevereiro 2012 1 Comentário

Desabafos de uma publicitária

Trabalhei com uma excelente diretora de arte e designer, já faz uns bons dez anos. Alguém de ideias brilhantes, rápidas e muito bem executadas. Enquanto eu pensava em um conceito ela me mostrava dez. E em menos de uma hora. Mas, generosamente, dividia comigo todo o crédito pelas ideias. Ela amava criar. Mas, como toda pessoa criativa e talentosa, era bastante sensível. Mas não pense que a sensibilidade fazia dela uma pessoa frágil ou emotiva. Pelo contrário, era turrona, briguenta, debochada.  Provavelmente é o preço que pobres mortais precisam pagar para conviver com pessoas desta natureza.

Lembro dela todas as vezes que escuto a crítica de um cliente, ou pior, tenho uma campanha reprovada. Quando isso acontecia com a gente, ela saía da reunião cantarolando: “Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui. Percorri milhas e milhas antes de dormir. Eu nem cochilei”. Alguém do Cidade Negra também deve ser publicitário.

Se formos pensar pela perspectiva de quem paga a conta, ter como resultado final para apresentar um monte de papéis com algumas frases e figuras, uma marca no mesmo canto direito inferior, que invariavelmente será aumentada cinco vezes antes de veicular, pode dar a impressão de ser uma tarefa fácil.

Seria ótimo que fosse. Não teríamos razão para ficar sem almoço ou comer pizza de frente para um computador às 2 da manhã. Hábito que por sinal é terrivelmente ridículo. Não faz o menor sentido.  E quando temos algo reprovado depois de uma enorme maratona, recheada de estresse, suor gelado, impressora que resolve enguiçar, expectativa exagerada porque sim, também somos egocêntricos, pânico por perder a conta que paga nossos salários e nos dá a confiança de ter escolhido a melhor profissão, precisamos adentrar por uma sala de reunião sorrindo, transmitindo confiança, segurança e entusiasmo. E com o dever de negociar, convencer e tentar arrancar do cliente algo mais valioso do que ele carrega na carteira: um elogio.

A falta desse último ingrediente fez minha ex-dupla buscar outra coisa. Porque alguém como ela não deveria mesmo ser desmerecida além de um limite suportável.

Ficam aqui minhas perguntas: o que fizemos ou deixamos de fazer para sermos tratados com desconfiança?

Estamos do mesmo lado, queremos a mesma coisa: que as marcas se tornem valiosas. Parafraseando o banco Santander: vamos juntos?

Elisa Quadros

6 setembro 2011 1 Comentário

Sobre espetinhos e diferenças

Novidade é com a gente mesmo, né? Aqui, gostamos de experimentar, ousar, tentar. Fazer diferente. E falando em fazer diferente, tem um cliente novo aqui na Fire que segue por este mesmo caminho. O Spetin Gourmet pegou a descontração do espetinho e, nas mãos de um competente chef, adaptou para a gastronomia mais refinada. O resultado é uma delícia, diferente do que as pessoas estão acostumadas.

Fazer diferente, seja um espetinho ou comunicação, é a chave para se destacar. Assim, uma marca que se diferencia, acaba por ganhar a preferência do consumidor. Não adianta ser apenas mais um. A concorrência é ferrenha e quem não faz nada diferente, vai acabar igualzinho a todo mundo.

E aí? O que você ou sua marca fizeram de diferente hoje?

Emerson Tononi

 

19 julho 2011 3 Comentários

Por sua causa comprei um produto ruim

Eu fui naquela loja, comprei aquele produto, consumi aquele serviço. E foi uma experiência nada agradável.  A propaganda dizia que era bom e eu acreditei. Atraíram-me. Mentiram. Alguém já disse por aí que não existe nada pior para um produto ruim do que uma boa propaganda (desculpe não citar a fonte da frase, alguém falou, mas acho que já virou domínio público). Fui e não volto mais.

Enquanto isso, você que tem um bom produto e um bom serviço não me falou nada. Não me informou que tinha algo realmente bom para oferecer. Exatamente aquilo que eu procurava.

E enquanto você ficar com medo, achando que propaganda não é pra sua empresa, o seu concorrente ruim vai continuar convencendo pessoas.

Eu sou e quero ser o seu cliente, mas, por favor, me diga onde te encontrar. Você sabe exatamente o que é importante pra mim, então não deixe que eu entre em outra furada.

Emerson Tononi

 

8 junho 2011 5 Comentários

Apagando incêndios e queimando o filme

A área de comunicação é muito dinâmica. É por isso que algumas demandas costumam surgir nas agências de publicidade de forma inesperada. Geralmente é algo estratégico para o cliente, motivado pela concorrência ou mudanças de mercado. São necessidades que precisam de respostas rápidas e eficientes, mas não costumam aparecer sempre.

Do outro lado, existem as demandas esperadas e previsíveis. E por estranho que pareça, são os trabalhos que mais geram horas-extras dentro de uma agencia. Por falta de planejamento, muitas vezes eles acabam sendo deixados para a última hora. É aí que entra o chamado “apagar incêndio”. Esse é, aliás, um nome muito bom, se pensarmos que a maioria dos incêndios acontece por imprudência. E que por mais bem apagados que sejam, sempre acabam causando danos, tanto pelo fogo quanto pelos métodos usados para combatê-lo.

Outra coisa que acontece com freqüência é combatermos incêndios mesmo quando não há fogo. Perdeu-se a noção do que é urgente. Capricho de uma sociedade que não sabe o que é esperar. Castigo de agências que se acostumaram a dizer sim, sempre. Precisa-se para ontem, mesmo sem saber por quê. Mesmo sem saber de que. E nesta história perdemos um tempo precioso em refações, descobrindo “porquês”. E o que era urgente fica para a semana seguinte, para o mês seguinte.

Passar noites trabalhando é um fato tão corriqueiro em algumas agências que quase o tomamos como natural. O fato é que, além dos problemas citados, existe um importante agravante: a constante redução das margens de lucro do setor. Ao invés de escolher pela qualidade, a maioria das empresas escolhe suas agências pelos descontos que elas são capazes de oferecer. E aí, para dar conta do serviço, é preciso recorrer às madrugadas, aos fins de semana. Um profissional precisa fazer o trabalho de três. Um job que deveria levar dois dias para ser bem executado, agora precisa sair em uma tarde.

Então, seguem todos completamente iludidos. O cliente acha que pagou menos e recebeu rápido, sem perceber que a economia e a pressa podem estar custando para sua marca mais caro do que imagina. A agência fecha o mês no azul, sem notar que caminha para um abismo, trabalhando cada vez mais, exaurindo seus funcionários e jogando seu portifólio na lama. Apagando incêndios e com o filme queimado. Já aos funcionários, resta pagar suas contas e aproveitar o falso glamour de uma profissão cada vez mais desgastante, competitiva e que, para a maioria, acaba aos quarenta.

Marcus Vinícius “Passarinho” é redator da Fire, uma agência que acredita que neurônios queimam melhor dentro do expediente.

Confira na próxima semana uma nova visão sobre esse debate.

26 maio 2011 7 Comentários

Carta a uma marca hipócrita

Prezada marca Hipócrita,

Há tempo venho querendo lhe dizer uma ou duas palavras, mas você anda falando tanto ultimamente que quase não me deixa oportunidade. Tal como outras moças de sua geração, você adquiriu mesmo o mau hábito de declarar constantemente seu amor, apenas para ganhar minha simpatia. Até aí tudo bem, ando precisando de alguns mimos. Mas sua insistência em achar que temos algo em comum, francamente, está me enchendo o saco.

Em primeiro lugar, todo mundo que lhe experimentou sabe que sua performance é vergonhosa. Você nunca está disponível quando eu preciso. Como eu disse, você fala muito e me escuta pouco. Você faz muitos planos, mas não me inclui de verdade em nenhum. Você me cobra fidelidade, mas me coloca na fila para se deitar primeiro com o vizinho mais rico.

Minha cara marca hipócrita. Devo confessar que no começo seus devaneios românticos, suas supostas preocupações com minha família, minha vida social e com o meio ambiente eram até simpáticas. Mas desde que comecei a ouvir de todos da sua laia a mesma conversa fiada, sinceramente, o meu saco está prestes a rebentar. Nunca tive tanta gente interessada no meu bem-estar. Ironicamente, nunca fui tão mal servido.

Sendo assim, eu gostaria, finalmente, de deixar claro algumas coisas. Primeiro, não sou seu amigo, só quero o seu respeito. Não estou “cada vez mais perto de você”. Entre nós não há nada que possamos “fazer juntos”, e não pareço nada com os personagens que você inventa para se promover. Pare de me seguir no twitter, muito menos me ligue. Só porque ficamos uma vez, não quero você em minha caixa de mensagens. Não “curto” você, só quero te usar, desde que você cumpra com suas promessas.

Estou longe de ser otário. O dia que você descobrir isso, talvez nosso relacionamento vingue.

Ass. Seu desprezado cliente

Marcus Vinícius “Passarinho” é redator, e anda cansado de propagandas bonitinhas e mentirosas