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24 fevereiro 2010 3 Comentários

De mídia a cineasta em seis minutos

Eu tenho um certo tesão por cinema. Não sou expert no assunto e se quisesse não teria conhecimento para fazer uma crítica honesta de Lagoa Azul. Preguiça, eu assumo. Eu tenho uma tremenda preguiça de ver filmes clássicos ou aqueles que todo mundo diz que eu deveria assistir, mas acho que isso não impede em nada o meu interesse pelo assunto. Afinal de contas eu vejo o que eu quiser (risos).

Eu tenho um ímã que prende minha atenção a coisas bizarras, consideradas repugnantes, anormais, que causam inquietação, nojo, agonia. Portanto, considero mais fácil e atrativo assistir um show do Marilyn Manson do que ver o Kings of Leon (calma! Eu não tenho nada contra o KOL. Adoro a banda).  Morri de tédio quando fui com uma ex-namorada assistir Ps. Eu Te Amo e me vinguei fazendo-a assistir Planeta Terror. Me agradam mil vezes mais quatro ou cinco, boas cenas de sangue e atrocidades a duas horas do melhor filme de romance. Enfim, já deu pra perceber o lado obscuro da coisa, né?

No final de 2008 eu tinha um projeto de graduação pra entregar. Um filme na cabeça e uns quatro ou cinco malucos também empolgados em trazer a ideia à tona. União perfeita: eles tinham a experiência e eu tinha a vontade.  Além de mídia da Fire, eu escrevia contos no blog http://www.ideiasmiseraveis.blogspot.com , e foi do conto bizarro e sanguinário “Apenas um carro quebrado a distância” que adaptamos o nosso roteiro. Depois disso veio a pré-produção (arrumar um carro batido foi mais difícil que gravar o filme, potz!), storyboard, escolha de elenco, escolha da locação e um ímpar de coisas necessárias pra se fazer um filme.

Tornar o imaginário “realidade” foi uma das coisas mais absurdas e empolgantes que já aconteceram na minha vida. Melhor que heroína, speedball, LSD e chá de fita de vídeo juntos. De mídia a cineasta, de cineasta a coadjuvante. Depois da grotesca maquiagem feita pelo nosso querido Aragão FX (do terror capixaba Mangue Negro) eu vivi um personagem que até tempos atrás só dava as caras na minha imaginação, e ainda pude estar ao lado da minha protagonista e ver tudo que eu imaginava criando forma. Irado demais! Experiência única e extremamente prazerosa que vocês podem conferir aqui.

Teo Netto

Mídia da Fire

10 março 2008 9 Comentários

Além da imaginação. Será mesmo?

Esses dias conversava com amigos sobre filmes das antigas. É aquele tipo de papo nostálgico que começa em Goonies, passa por Viagem ao Mundo dos Sonhos, e termina em Sem Licença Para Dirigir. Nada parece mais divertido do que lembrar como aqueles jovens atores, todos da nossa idade ou geração, tinham mullets e optaram por uma adolescência ultra rock ‘n roll de drogas, badalações e loucuras mil. Viva Corey Feldman e viva River Phoenix (ops, esse último pegou tão pesado que nem adianta dizer “viva”).

Nessas ocasiões sempre me vem à cabeça um filme que eu temo nunca mais assistir e de cujo nome eu nunca mais lembrarei. Claro que outras pessoas no mundo devem ter assistido também, mas devem estar todas espalhadas estrategicamente para que nenhuma tenha qualquer contato com a outra. E é claro que deve ser um belo de um filme B (até C ou D, se bobear), com atores e efeitos toscos, mas isso nem importava muito lá pelos meus sete ou oito anos de idade

Eu acho que assisti no SBT, deve ter sido entre lá pra 87 ou 88, e a história era mais ou menos assim: a família acorda e se apavora ao descobrir que não consegue sair de casa, porque existe uma parede de ferro lá fora por todos os lados. Não adianta abrir as janelas, as portas ou garagem. Por qualquer buraco da casa que você olha, você só enxerga a tal parede. Acho que o filme vai se desenrolando só nessa agonia até que, em certo ponto, um misterioso líquido verde vem escorrendo de um cômodo. A família corre enquanto pode e tenta se salvar. Não conseguem, coitados. A partir daí, a história muda completamente: surge uma outra família, com aspecto e roupas diferentes, algo que na época provavelmente tinha a intenção de remeter ao futuro. Uma mulher diz para a filha retirar sua casinha de bonecas do armário (um armário de ferro, por sinal). É claro que aí você percebe que a casa no armário é casa da família que aparecera anteriormente no filme. A menina então olha pela janelinha e percebe que esqueceu lá dentro uma bala de menta e essa acabou derretendo (bala de menta, líquido verde, entendeu?).

Aí agora você imagina como esse filme deve ser fascinante para quem tem sete ou oito anos de idade. Cheguei a postar um tópico numa comunidade do orkut chamada Weird Movies (a minha cara estar nessa comunidade), perguntando desesperadamente se alguém também já tinha visto esse filme. A única resposta foi de um cara americano que, embora nunca tivesse assistido o troço, sugeriu que a tal história só podia ser de algum episódio de Além da Imaginação. Eu sei lá como vou fazer pra assistir Além da Imaginação em 2007. Internet? É, talvez. Mas e como achar um único episódio de uma série que atravessou décadas? Alguém me ajuda!

Marcelo Merçon