Fiz aniversário um dia desses e, felizmente, ganhei presentes deliciosos. Flores, livros e chocolates. Que mais uma pessoa precisa para ser feliz? Um dos presentes é ainda mais delicioso se a gente olhar pelo lado da embalagem. Uma lata linda, com ilustrações divertidas e dentro, uma porção de mini tabletes de chocolates.
E cada um dos chocolates tem uma ilustração e uma frase diferente. Para fazer o merchan corretamente neste post, a lata é da Cacau Show que, na minha opinião, fez o que toda empresa deveria fazer pelo seu produto: investiu em design.
Para saber mais sobre a estratégia da Cacau Show, clique.
Eu tenho um certo tesão por cinema. Não sou expert no assunto e se quisesse não teria conhecimento para fazer uma crítica honesta de Lagoa Azul. Preguiça, eu assumo. Eu tenho uma tremenda preguiça de ver filmes clássicos ou aqueles que todo mundo diz que eu deveria assistir, mas acho que isso não impede em nada o meu interesse pelo assunto. Afinal de contas eu vejo o que eu quiser (risos).
Eu tenho um ímã que prende minha atenção a coisas bizarras, consideradas repugnantes, anormais, que causam inquietação, nojo, agonia. Portanto, considero mais fácil e atrativo assistir um show do Marilyn Manson do que ver o Kings of Leon (calma! Eu não tenho nada contra o KOL. Adoro a banda). Morri de tédio quando fui com uma ex-namorada assistir Ps. Eu Te Amo e me vinguei fazendo-a assistir Planeta Terror. Me agradam mil vezes mais quatro ou cinco, boas cenas de sangue e atrocidades a duas horas do melhor filme de romance. Enfim, já deu pra perceber o lado obscuro da coisa, né?
No final de 2008 eu tinha um projeto de graduação pra entregar. Um filme na cabeça e uns quatro ou cinco malucos também empolgados em trazer a ideia à tona. União perfeita: eles tinham a experiência e eu tinha a vontade. Além de mídia da Fire, eu escrevia contos no blog http://www.ideiasmiseraveis.blogspot.com , e foi do conto bizarro e sanguinário “Apenas um carro quebrado a distância” que adaptamos o nosso roteiro. Depois disso veio a pré-produção (arrumar um carro batido foi mais difícil que gravar o filme, potz!), storyboard, escolha de elenco, escolha da locação e um ímpar de coisas necessárias pra se fazer um filme.
Tornar o imaginário “realidade” foi uma das coisas mais absurdas e empolgantes que já aconteceram na minha vida. Melhor que heroína, speedball, LSD e chá de fita de vídeo juntos. De mídia a cineasta, de cineasta a coadjuvante. Depois da grotesca maquiagem feita pelo nosso querido Aragão FX (do terror capixaba Mangue Negro) eu vivi um personagem que até tempos atrás só dava as caras na minha imaginação, e ainda pude estar ao lado da minha protagonista e ver tudo que eu imaginava criando forma. Irado demais! Experiência única e extremamente prazerosa que vocês podem conferir aqui.
Voltei a desenhar depois de muitos anos. Muitos mesmo. Tudo por causa do meu novo caderninho de desenho. Desenho sem compromisso, pra mim mesmo, como eu não fazia desde a adolescência.
E esse caderninho vem se tornando minha companhia obrigatória, sendo levado comigo pra todo lado. Até já virou um hábito tirar ele do bolso (do bolso porque é bem pequeno mesmo) e desenhar de tudo, e em todo lugar.
Com uma simples caneta uni pin e depois um pouco de tinta vou criando imagens malucas, algumas tiradas do próprio cenário, outras de algo que acontece comigo ou à minha volta. Acaba sendo a minha visão do mundo. E vou ficando cada vez mais viciado em mostrar essa visão e de colocá-la no papel. Um vício muito bom. E viva meu caderninho.
Até pouco tempo, minha relação com os quadrinhos se restringia a Mônica, Cascão e Cebolinha. Li mais de mil gibis com essa turma e seus amigos. Achava as histórias do Horácio, o dinossauro de braços curtinhos, muito triste e sem sentido para mim, que tinha sete ou oito anos. Gostava do Rolo e da Tina, e do clima que havia entre os dois. Quadrinhos era Maurício de Souza. Não sei a que atribuo essa, digamos, ignorância em relação às HQs. Talvez por ser menina, por ter sido tão fiel a eles, por não ter tido ninguém que me apresentasse a DC Comics ou Marvel.
Felizmente conheci pessoas que me levaram para o caminho da luz. Claudio, Radael, Vlad, meus queridos colegas de trabalho. Graças a eles descobri um novo mundo. Graças a eles conheci o Robert Crumb, Will Weisner, Frank Miller. Sou uma nova pessoa, posso assegurar-lhe. E é isso que quero transmitir aqui. Quero dar meu testemunho. Estou lendo aos poucos diferentes histórias e gostando cada dia mais. Li Maus, o premiado livro de Art Spiegelman, vencedor o prêmio Pulitzer, e fiquei chocada. Chorei uma tarde inteira, não consegui acreditar como é possível contar uma história tão triste em forma de quadrinhos. E agora estou lendo Persépolis, de Marjane Satrapi. Sei que a estrada para o conhecimento das grandes HQs ainda é longo. Mas, pelo jeito, vai ser facinho percorrê-lo.
A Neue Gallery, de Nova Iorque, está fazendo uma bela retrospectiva da obra do austríaco Gustav Klimt. A exposição, que tem a maior coleção de suas obras fora de Viena, traz o lado obscuro do trabalho do artista, muitas vezes também marcado pelo erotismo.
Vale lembrar que Klimt marcou a arte do século XX. Além de fundador da Secessão de Viena, movimento de artistas que protestavam contra o conservadorismo e academicismo da época, Klimt também é uma referência constante para ilustradores e artistas conteporâneos.
Sobre o erotismo, conta-se que Klimt pagava várias prostitutas para que convivessem com ele em seu estúdio e servissem de inspiração para seu trabalho. É claro que essa convivência às vezes acaba em cenas picantes, coisa fácil de se perceber em suas obras e esboços.
Quem um dia tiver a chance de ir a uma exposição das obras do austríaco, já sabe: as crianças têm que ficar em casa.
Marcelo Merçon
(Com consultoria artística de Radael Junior)