Arquivo | fevereiro, 2012

16 fevereiro 2012 0 Comentários

Não se deve começar um título com “não”

Certamente você já leu isso em algum lugar. Tenho quase certeza. Essa é uma daquelas “verdades” absolutas que povoam o imaginário da publicidade. Talvez, quando essa frase foi dita, até fazia sentido. Mas hoje a gente percebe que certas verdades estão aí justamente para serem “desmentidas”. A Campanha memorável “Não é assim uma Brastemp” está aí para comprovar.

Em propaganda temos a regra de ouro de tentar “fugir” daquilo que as pessoas estão esperando. Afinal, todos nós somos atraídos pelo novo, pelo diferente. Sabemos que a atenção de um consumidor na frente da TV, principalmente hoje com tantas opções de entretenimento, vale ouro.

Aqui na Fire a gente trabalha duro para valorizar aqueles 30 segundos que nosso cliente fala com o cliente dele. E tentamos valorizar mais ainda esses mesmos 30 segundos que cada consumidor nos empresta.

Carnaval é época de marchinha? Hum… vai acreditando…

Imagem de Amostra do You Tube

Emerson

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7 fevereiro 2012 2 Comentários

Desabafos de uma publicitária

Trabalhei com uma excelente diretora de arte e designer, já faz uns bons dez anos. Alguém de ideias brilhantes, rápidas e muito bem executadas. Enquanto eu pensava em um conceito ela me mostrava dez. E em menos de uma hora. Mas, generosamente, dividia comigo todo o crédito pelas ideias. Ela amava criar. Mas, como toda pessoa criativa e talentosa, era bastante sensível. Mas não pense que a sensibilidade fazia dela uma pessoa frágil ou emotiva. Pelo contrário, era turrona, briguenta, debochada.  Provavelmente é o preço que pobres mortais precisam pagar para conviver com pessoas desta natureza.

Lembro dela todas as vezes que escuto a crítica de um cliente, ou pior, tenho uma campanha reprovada. Quando isso acontecia com a gente, ela saía da reunião cantarolando: “Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui. Percorri milhas e milhas antes de dormir. Eu nem cochilei”. Alguém do Cidade Negra também deve ser publicitário.

Se formos pensar pela perspectiva de quem paga a conta, ter como resultado final para apresentar um monte de papéis com algumas frases e figuras, uma marca no mesmo canto direito inferior, que invariavelmente será aumentada cinco vezes antes de veicular, pode dar a impressão de ser uma tarefa fácil.

Seria ótimo que fosse. Não teríamos razão para ficar sem almoço ou comer pizza de frente para um computador às 2 da manhã. Hábito que por sinal é terrivelmente ridículo. Não faz o menor sentido.  E quando temos algo reprovado depois de uma enorme maratona, recheada de estresse, suor gelado, impressora que resolve enguiçar, expectativa exagerada porque sim, também somos egocêntricos, pânico por perder a conta que paga nossos salários e nos dá a confiança de ter escolhido a melhor profissão, precisamos adentrar por uma sala de reunião sorrindo, transmitindo confiança, segurança e entusiasmo. E com o dever de negociar, convencer e tentar arrancar do cliente algo mais valioso do que ele carrega na carteira: um elogio.

A falta desse último ingrediente fez minha ex-dupla buscar outra coisa. Porque alguém como ela não deveria mesmo ser desmerecida além de um limite suportável.

Ficam aqui minhas perguntas: o que fizemos ou deixamos de fazer para sermos tratados com desconfiança?

Estamos do mesmo lado, queremos a mesma coisa: que as marcas se tornem valiosas. Parafraseando o banco Santander: vamos juntos?

Elisa Quadros